Metodologia
Como a Ecoing calcula as métricas e o Score ESG do Passaporte Circular.
1. Norma e referências
A plataforma segue a norma VSME (Voluntary Sustainability Reporting Standard for non-listed SMEs)publicada pela EFRAG em Dezembro de 2024 e adoptada pela Recomendação CE C(2025) 4984.
Os factores de emissão e os preços de conversão aplicados podem ser actualizados ao longo do tempo (revisões da APA, IPCC, ERSE, DGEG, ERSAR). Por isso não os fixamos nesta página. Em vez disso:
- Os factores actualmente parametrizados e os que podes ajustar estão na página Factores da plataforma (por ano de reporte).
- Os factores efectivamente usados em cada relatório ficam congelados num snapshot no momento da geração e são listados no Anexo A do PDF do relatório — garantindo reproducibilidade histórica.
2. Hierarquia de fontes de dados
Quando há mais do que uma fonte para a mesma métrica, a plataforma combina por prioridade:
- Tier 1 — Fatura (
source: invoice). Dados extraídos directamente das facturas que carregaste. Quando o fornecedor declara o CO₂ na fatura, esse valor é usado em B3.08 (Scope 1). - Tier 2 — SAF-T (
source: saft). Estimativa a partir do balancete contabilístico: custo (€) das contas relevantes ÷ preço unitário médio. Usado quando não há facturas para o ano completo. - Tier 3 — Manual / Questionário (
source: manual). Declaração da empresa quando não tem evidência primária. - Tier 4 — Estimativa (
source: estimated). Factor de sector, quando faltam todos os outros dados.
Para cobertura parcial (ex: tens facturas só de 6 meses), a plataforma combina automaticamente Tier 1 com Tier 2 — usa as facturas para os dias cobertos e o ritmo médio do SAF-T para os dias em falta.
3. Score ESG do Passaporte Circular
Importante: o Score ESG da Ecoing é um indicador de prontidão — mede quanto do relatório VSME está preenchido e documentado. Não é um rating de performance ambiental nem se compara com agências de notação ESG profissionais.
O Score é uma média ponderada de três dimensões, cada uma medida como "percentagem de campos preenchidos":
| Pilar | Peso | Campos contabilizados |
|---|---|---|
| E — Ambiente | 40% | B3.03 (electricidade), B3.06 (combustíveis), B3.08 (Scope 1), B3.09 (Scope 2), B6.01 (água), B7.02–B7.04 (resíduos) |
| S — Social | 35% | B8.01–B8.05 (mão de obra), B9.01–B9.03 (acidentes/fatalidades), B10.02 (pay gap), B10.04 (formação) |
| G — Governação | 25% | B11.01 (código de conduta), B11.02 (anti-corrupção) |
Fórmula: Score = round(E × 0,40 + S × 0,35 + G × 0,25) · resultado de 0 a 100.
Como subir o Score
- Carregar as facturas de electricidade, gás, água e resíduos do ano todo (sobe E).
- Preencher B8 (mão de obra) e B9 (acidentes/fatalidades) no questionário (sobe S).
- Responder B11.01 (código de conduta) e B11.02 (anti-corrupção) (sobe G — peso alto, poucos campos).
4. Anualização e cobertura
Quando os lançamentos não cobrem o ano completo, podes escolher por recurso:
- Reportar reais— usa só os dias cobertos. O relatório indica explicitamente a cobertura parcial (ex: "6 de 12 meses").
- Anualizar — extrapola para ano completo:
total reportado = soma × (365 ÷ dias cobertos). A métrica fica marcada como estimativa e a confidence baixa.
5. Versões e auditoria
Cada relatório guarda um factor_snapshot com os factores activos no momento da geração — assim, mesmo que actualizemos os factores no futuro, o relatório histórico mantém-se reproduzível.
A fonte de cada métrica é exibida no relatório (fatura, saft, manual, etc.) e os source_account_ids permitem rastrear até às contas SNC originais para auditoria.
6. Limitações
- A plataforma assume que o SAF-T submetido segue o esquema oficial PT 1.04 (anexo H). Versões mais antigas ou modificadas podem produzir resultados incompletos.
- A extracção de facturas via IA tem precisão típica >90% mas pode falhar com layouts pouco comuns. Validar sempre os valores extraídos antes de gravar.
- O Score ESG mede prontidão do relatório, não performance. Empresas com baixas emissões mas relatório incompleto podem ter Score baixo; o inverso também acontece.